Mas que mundo estranho que eu vim parar. Ruas e calçadas pintadas de rosa, pessoas rindo o tempo inteiro, velhinhos felizes saltitando pelas ruas. Que diabo, digo, maravilha de lugar é esse? Lembro-me de habitar um lugar tão castigado, odioso... e, de repente, caio aqui, neste lugar colorido e feliz. Que aconteceu? Após andar uns quarteirões pelo local, um cidadão, meio estranho, bigodudo, me parou e disse: “Ei, cara! Acorda! Pode parecer sonho, mas você foi desconectado do velho mundo. Agora você está no mundo cor rosa. Este mundo representa tudo aquilo que você acreditava ser impossível. Já pensou nisso? Viver no mundo do impossível? E melhor: do seu impossível! Não precisa pensar, pois agora você vive nele”. O bigodudo saiu em disparada, correndo como um louco. Pensei que fora um sonho. Um dentro de outro. Mas não. A cada passo, a cada olhar, a cada sensação, percebia que eu estava no mundo do impossível. Ou melhor, onde o meu impossível era agora possível. Depois de muitos anos fui desconectado do mundo cor de rosa e retornei ao velho mundo, afinal, precisava mostrar para os outros a beleza de lugar que havia encontrado. Nesta empreitada, fui tido com louco, desatinado, maluco. Recebi numerosos e lindos adjetivos. Mas não importa. Um dia, quiçá, saberão eles que existe o mundo do impossível. Ele é rosa, simples, divertido e de fácil acesso: basta olhar para o avesso do mundo, acha-lo impossível e imaginar as ruas e calçadas pintadas de rosa.